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no meu dia de folga, morrendo de sono, finalmente vestida com a minha camiseta favorita depois de perambular nua pelo jardim, colhendo amoras.
ò deus…o cachorro lambeu minha cara depois que bateram essa foto, por isso fiz essa cara de gozo eterno.
que nojo.
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Provo a dor de ser, de ter, de querer, de tudo; na falta. Essas ausências, essa vida contida, essas linhas. Ai. De tanta pressa, comi minha fome. Fome ingerida é indigesta. É não parir o filho, mas abortar. É colher amor antes de amar; essa sou eu. Mas o antes do tempo não existe porque ninguém assiste; já me disseram que viver não é só ver, mas ser visto. Eu só queria sentir e dissolver no mar do saber, sabido. No mar do ‘É’, sem nada acrescentar, navegando sem saber aonde chegar. Ser engolida no mistério dos olhos da menina e é isso. Porque sempre espero alguém. Porque sempre espero alguém esperando por mim.
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Eu queria atenção, mas agora não preciso de ninguém pra me olhar. Senti que perdi um pouco da visão e andando, sei tatear. Vivo no mundo das texturas, mas depois de comer de tudo perdi o paladar. Agora como menos e sinto sede. Vejo a água diferente, como algo vital. Mas tudo o que peço nesse momento, sem que ninguém perceba, é um pouco de educação emocional. É quando o telefone não toca, é quando minhas palavras escritas não são lidas, é quando o seu interesse por mim não grita. É quando seu eu não me atiça e fica permanentemente imóvel, é um destino insólito dissolvido na brisa. Eu pego seus grãos miúdos e silenciosos e faço um castelo pra depois pegar meu coração e destruir o meu ego. Aprendo com meus sentimentos, consumindo em entendimento. Minha mãe diz que me falta humildade, eu não sei. Fui criada com muita liberdade pra perceber até que ponto é vaidade e não é. Eu só não sei querer e quando quero, quero tudo…mas tudo, não tem. Não vou almoçar hoje, nem jantar…amanha também. Esse regime emocional é quase uma ditadura dentro do meu coração. Quando não tem pra mim, não vejo mais ninguém. (porque afinal de contas, eu sou todos, sou você também)

Alguém fala comigo?
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sonífero dia
Esse silêncio que me abandona o corpo por alguns instantes não é só a minha voz, o silêncio não vem corpo, mas da alma inerte e desqualificada pra algo que chamo vida, ainda que não esteja morta. Essa meditação inconsciente da alma que pede por mais uma escrita como essa, que chama, que clama, sem vontade POR VONTADE. Meu nome deveria ser Vontade virgula Saudade das coisas que jamais por aqui existiu.
Estou fazendo arquitetura encaixando letra por letra, estou fazendo meditação, estou falando com os espíritos, estou incomodado os vizinhos. Estou, portanto. Estou portando armas pra eliminar artifícios. Vivendo dormindo num sonífero dia.
Este é, este foi um sonífero dia.
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Em algum lugar da Escandinávia existe uma casa que eu chamo de lar, onde minha alegria é consumida pela dor de ser alegre; tão paradoxal que vira agonia, essa ânsia de viver. Quero consumir e ser consumida. Quero morrer, quero nascer. Entre dedos de cafunés. Me afogar na sua xícara de café e renascer nas cinzas do seu vapor. Agora que sou uma menina boa, reformada, encima do prazo, devo dizer que eu lixo a ferrugem das velharias da casa, faço chá, faço bolo; quase dona-de-casa…feliz à sua maneira, na engrenagem do trivial. Fazendo a cama pra desarrumar, colocando roupa pra depois tirar. Felicidade plena é gozar junto e chorar, depois morrer e nascer sem fórmulas ou exigências, apenas ser na essência; somos só perfume no ar (mais nada).
Sejamos, pois, o eterno vai-e-vem. Do sexo que não retém e deixa tudo escapar.

escapa tudo…
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realizar que de dentro dessa cabeça, dentro de um quarto escuro se pôs a ver friamente a dor que sentia pra saber se poderia, valeria chorar.
depois que ver que o tempo é uma janela, a janela que dá lá fora; e ver que as estrelas outrora estiveram em meu lugar;- muito eu deveria alcançar, muito.
ao amanhecer forjo a luz da minha própria estrela-cria com o brilho do sol raso que me dá envolta a face uma pelicula de vida.
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eu tenho todas as sensações guardadas comigo em um suspiro preso que me deixa sem peso.
não sei se ando, se paro, se corro.
EU PAIRO
eu sinto muito,
muito obrigado.
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Ela me deu a frase acima e eu terminei.
Não como pêra, demais por demais me deito cedo, e perante a fadiga essa fome me intriga. Porque os traços do seu corpo são de pêra, e te mastigo lentamente suavizando o movimento. A fome pelos quadris, contrasta a minha sede pelo seu suco, embaixo da casca de cera, brilhante e deslizante em meus dedos. Não tenho medo. Por demais me deitei cedo, pra te colher antes da fome.
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Você gosta de oprimir, de deitar os outros sob o seu solo acolchoado e fazê-los sucumbir ao seu amor sufocante. Quer obrigar a dormir e acordar religiosamente de mãos dadas, na oração na união eterna. Quer andar no mesmo compasso do passo, quer tocar nas partes restritas do corpo, suando, em movimentos nervosos e rápidos com medo do pecado…quer possuir todas as células desse ser. Quer comê-la com os olhos, derretê-la, reduzi-la. Não sei o que você quer, mas é como matá-la. É quase a morte, mas você não pega na faca e não atira. Você dispara! Dispara sua alma contra a minha e estupra, dilacera e mantém escrava.
Mas desse esquema, nem eu sabia. Quando percebi já estava até usada e paga, devolvida a vida pelas mãos de Deus, que é hoje, meu eterno analista.
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Adormecida, foi tecida pelo véu dos sonhos. E nesses sonhos vai além da camada de nuvens de algodão com sangue e mercúrio que deixou cair no chão. Você está correndo novamente com sua bicicleta Ceci cor de rosa que nada combina com seu jeito durona, mas que combina com o seu jeito chorona. E quando cai, a bicicleta se parece com você e seu cabelos loiros nos ombros. Esse é o único pretexto que você tem para pedir um pouco de amor. Pelo cheiro do sangue, bem que parece ser ketchup. Mas não ousei lamber e fazer você corar, fazer você tremer e deixar seu coração esfriar. Sim, sim. Eu vou te dar carinho. Pode ficar.
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