About
Enquanto criança sentia desejos imaginativos pelas coisas. Poderia me apaixonar e me entreter facilmente. Creio que sofri, morri e voltei um milhão de vezes mais. Eu sou o retorno, o triunfo sobre mim mesma. Tão cheia e vazia do mesmo. No que me agarrar? Que emoções me esperam? Já criei, fiz tantas novelas. Me apropriei de vidas, e nisso tudo já matei e trouxe a..’A vida’ é uma repetição do mesmo. As vezes tento me envolver em escândalos, retroceder, voltar ao buraco, me espetar, me articular, mostrar meu inferno particular e comover os espectadores. Mas não me comovo com a comoção alheia. Minhas emoções, conheço-as super bem e elas são ativadas em um lapso de ex-prisioneira. Estou livre? Sentir é um pecado pra mim, amando sozinha é sublimar para EU com Deus. Nataly versus God: me tira daqui. Será que alguém é capaz de atingir um mesmo sublime ápice de encontro comigo?
Me apaixonei secretamente pela menina do ônibus e ela morreu quando desci no ponto.
Quando as coisas parecem distantes tenho a impressão que vivo mais, mas nada é tão espetacular assim como antes. Nem mesmo um milhão de reais e suas possibilidades. Talvez com esse faria algo terrível comigo mesma: compraria uma ilha deserta pra mim e me afundaria de vez no vazio, mataria o tempo como se matava aula no tempos da escola. A vida é uma escola, e eu me excluo dessa chatisse que é pregar um prego na parede, lavar louça em casa e tentar fazer fotos incríveis. Eu sei que sou incrível. Por favor, quero um analista! Sem ter uma ilha, ainda tento questionar a vida, procurar uma saída, me amar diante do espelho (- mas que imagem irreal e alheia ao tempo!) Não sou nada nessas circunstâncias prisioneiras, não me realizo e até escrevendo isso estou tentando me caricaturar, me ‘aprodinhar’ em linhas. Preciso de mistérios, porque minha vida é a busca secreta pela chave destes. Preciso de paixões, interrupções, chutar o pau de qualquer barraca dourada demais, reluzente.
Queria então me deleitar no poder de ser Rainha. Fazer de tudo para me esgotar, descobrir possibilidades estranhas que só o poder pode dar. Ser amoral, critica, chata insensível, brega e perigosa, realizar desejos estranhos. Ser marginal, dizer não as coisas vitais e precisar delas. Sentar na lama e apreciar a textura. Poderia fazer isso muito bem pois amanha dormiria sob o algodão comestível, embalada, aos cuidados dos anjos celestiais. E desta forma viver individualmente, amando indivíduos individuais e peculiares, marginalmente, sem medo do pós-guerra.
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