G diz:
”Logo que pronuncio uma frase a sinceridade morre e torna-se numa mentira cuja frieza me gela. Não me digas nada, vejo que me entendes, mas tenho receio dessa compreensão, tenho medo de encontrar alguém semelhante a mim e ao mesmo tempo desejo-o. Sinto-me tão definitivamente só, mas tenho tanto medo que o isolamento seja violado e eu não seja mais o cérebro e a lei do meu universo.
G diz:
Sinto-me no grande terror do teu entendimento, meio por que penetras no meu mundo; e que, sem véus, tenha então que partilhar o meu reino.”
G diz:
as vezes sinto que não sou nada de concreto pra você, por isso vc n me tem. vc tem duvidas sobre mim, vc n sabe quem sou, se sou, onde estou. eu não existo concretamente na sua vida pq nunca construimos muros, ou coisas. somnos mais abstratas do que tudo. nossa vida está aliada ao medo e a dúvida. na espera da solidão. e mesmo assim não nos afastamos. eu continuo te querendo e vc se irrita com
G diz:
o fato de eu ser imatura demais para você. eu não sou concreta. meus mundos são abstratos, meus sentimentos são como vento, eu nunca vivi nada nesta vida, nunca fiz nada, nunca aprendi nada, nunca tive nada ao ninguém. nem a mim mesma.
G diz:
eu sou em ser que varia entre polos, sou uma nuvem, sou um nada. e vc é leve demais. nós nadamos nos mesmos mares, mas as marés não se encontram. o que eu quero ser para você, é abstrato. eu quero te dar um peito pra deitar, um colo pra se apoiar, uma mão pra construir, quero te dar uma paixão para viver. mas eu não consigo existir. eu sou um nada. eu não tenho dinheiro, eu não sou ruim nem boa,
G diz:
bonita nem feia, burra nem esperta, nem obesa nem um palito, pequena nem grande. minha voz não sai, meu corpo não se move. mas eu te desejo, eu te amo, eu preciso de você, eu preciso ser através de você. eu preciso do seu corpo pra falar em mim, eu preciso de dar minha mente, preciso da sua agilidade, preciso do seu amor, preciso do seu bem, preciso que voce me ajude a me atribuir um corpo, uma
G diz:
voz, um ventre. eu preciso ser alguma coisa concreta para você. eu só quero DAR, mas eu nã oconsigo. eu preciso te dar tudo que sinto, que sei. preciso de construção. preciso de VIVER. me tire do tédio que é ser o que sou hoje, eu preciso trascender a mim mesma preciso conseguir fazer na vida. na minha, na sua, no mundo.
G diz:
eu sou um nada.
G diz:
mas eu preciso ser um tudo.
nataly diz:
G diz:
vc me preenche. nem mais nem menos. eu trabalharia por vc, eu viveria por vc, eu falaria por você. eu pagaria sua presença com meu corpo, minha alma, com a materia, o dinheiro, com o amor, com qualquer coisa. eu pagaria cada mundo que há em mim, cada milhão que eu tivesse para te ver sorrindo eternamente. para você ser para mim. a luz que você carrega move meus mundos que há muito já morreram.
G diz:
mas eu continuou não sendo nada.
nataly diz:
meu deus eu choro
G diz:
e eu só quero lamber suas lágrimas.
nataly diz:
vc escreveu anais nin , me escreveu
G diz:
pra aliar o peso que carrego. eu te daria toda a minha vida. cada gota da minha vida
G diz:
pq ela não é nada dentro do ser morto que tem em mim
G diz:
eu só vou viver de novo quando eu der a alguem
G diz:
a vida
G diz:
quando eu te der
G diz:
eu preciso desesperadamente te dar algo concredo
G diz:
concreto
G diz:
mas eu sou completamente abstrata
G diz:
‘Engulo as minhas próprias palavras. Rumino e rumino tudo até que se deteriore. Cada pensamento e cada impulso é mastigado até que se transforme em nada. Quero controlar todos os meus pensamentos de uma vez, mas eles fogem em todas as direcções. Se o conseguisse seria capaz de capturar os espíritos mais subtis, como um cardume de pequenos peixes de água doce. ‘
G diz:
‘Poderia revelar inocência e duplicidade, generosidade e cálculo, medo, cobardia e coragem. Pretendo dizer toda a verdade e não consigo dizer toda a verdade porque, para isso, teria de ser capaz de escrever quatro páginas simultaneamente, quatro longas colunas simultâneas, quatro páginas resultando numa, e essa é a razão porque não escrevo nada. Teria para isso de escrever em reverso, voltar atrás
G diz:
constantemente para agarrar os ecos e os acordes.’
G diz:
you
nataly diz:
a sensação que tenho é de dívida, então
G diz:
eu me torceria como um pano velho molhado nesse instante para saciar sua sede.
G diz:
a minha sensação é a de entrega total
G diz:
e não de dívida
G diz:
sei que eu preciso de vc pra me tornar mais real
nataly diz:
sei..
G diz:
sei que eu preciso trocar coisas com vc
G diz:
sei que não sei
G diz:
AI
G diz:
não quero saber
G diz:
É
G diz:
é a necessidade de te ter nos meus braços, de te fazer repousar, de te dar um calor uma casa, um lugar, de te dar vida
G diz:
é como se eu só vivesse se eu despertasse vida nos outros
G diz:
e desde que vim até você eu te senti morta
nataly diz:
estou morta, como fará isso?
nataly diz:
as vezes sinto que a única coisa que preciso é disso. realmente, não existe mais nada que pudesse me impulsionar de volta, mas não posso esperar isso de você.
nataly diz:
no fundo eu sempre espero por algo, como se eu devesse ter paciência.como eu disse, eu sinto como se eu fosse constantemente empurrada no meio de uma multidão num lugar desconhecido e estranho. eu sou muito criança. não sei se sei sobreviver. acho que ao longo de milhares de vidas eu enfraqueci. me tornei um cristal muito frágil. eu fujo das pessoas, fujo dos sentimentos mais grosseiros delas.
nataly diz:
tudo me afeta, me adoece
nataly diz:
isso é tudo muito bonito e poético. mas eu não sei fazer isso. não consigo.não mais.
nataly diz:
eu vejo, mas me sinto muito sozinha com as minhas próprias convicções. como se não tivesse ninguém pra me apoiar nelas.
nataly diz:
eu ainda não achei.
nataly diz:
mas obrigada pelas palavras
vc espera alguem completo
nataly diz:
achoque espero alguém como eu, ou melhor que eu.
nataly diz:
meu, estou tão cansada sabe? não consigo mais lutar, nem me jogar nada. só queria um colo mesmo. queria ser um bebe pra ser cuidado. me sinto muito fraca, meu estômago dói, estou vazia. eu nãoquero pensar mais em como vou me virar pra sobreviver. nem força pra me matar eu tenho.
nataly diz:
NÃO QUERO
nataly diz:
NÃO QUERO NADA DISSO
nataly diz:
NADA DISSO CHEGA AQUI
nataly diz:
não me resolve, não faz a minha mãe calar a boca
nataly diz:
não melhora a minha vida
nataly diz:
NADA
nataly diz:
eu não sei jogar, não sei ser maliciosa
nataly diz:
não tenho forças
nataly diz:
viu como vc não pode me ajudar
G diz:
G diz:
com a fagulha de vida que vier junto a gente só aprende a viver, quando a gente entra no jogo da vida. quando a gente começa a fazer coisas
G diz:
G diz:
desde que eu apareci misteriosamente na sua vida, eu sentia que algo me chamava
uma necessidade, um desaguar. eu sentia que eu precisava te dar alguma coisa
é como se eu fosse um vento, indo de norte a sul, entre os pólos, passando por varios lugares. com nescessidade de preencher espaços, pessoas
G diz:
G diz:
G diz:
eu só vivo se eu existir dentro de alguem intensamente e eu busco isso
G diz:
dando vida
G diz:
paixão
G diz:
dando carinho, dando TUDO junto
G diz:
queria ser pra vc como uma corrente de vento forte sabe
G diz:
dessas que vc vai até a janela com muito CALOR
G diz:
e vc abra a jenela
G diz:
e ela entra
G diz:
bate em vc
G diz:
te esfria
G diz:
te acalenta
G diz:
te enche de vida
G diz:
te tira do abafo
G diz:
te mostra que vc é BEM MAIS que um corpo, que uma palavra
G diz:
vc não tem que esperar de ngm
G diz:
só te peço que faça como na foto *
G diz:
abra a janela e sinta
G diz:
como um beijo
G diz:
desses que vem de repente e tiram o folego
G diz:
e nos deixam em choque
G diz:
um vento forte que faça a gente arrepiar
G diz:
que deixa nossos mamilos duros, nossos pelos arrepiados, nossos olhos bem fechados. e não pensamos em mais nada, só uma calma
G diz:
um assovio
G diz:
vc só tem que se jogar
G diz:
igual uma folha no vento
G diz:
o vento bate forte
G diz:
e a folha dança em cima dele
G diz:
o vento é grosseiro
G diz:
a folha é leve
G diz:
e ela dança nele
G diz:
vc tem que ver por tras da grosseria
G diz:
sabe
G diz:
achar o seu porto
G diz:
achar o seu PONTO
G diz:
é dificil achar um semi-deus em quem se jogar
G diz:
G diz:
eu estou te trazendo um desejo que vai além de mim mesma, que é o desejo de te apoiar
G diz:
eu posso ser essa pessoa nataly, mas eu preciso que vc me carregue dentro de vc
G diz:
eu preciso de uma fagulha
G diz:
de uma pontinha queimando
G diz:
eu não quero nada de vc
G diz:
eu quero te trazer alg oque é MAIOR que eu mesma
G diz:
melhor que eu, que vc, que tudo. é algo puro, é algo cheio de vida
G diz:
o que quero te dar é um sopro
G diz:
deita no meu colinho, deita
G diz:
eu não sou nada, meu amor. eu só vivo quando dou colo a alguem
G diz:
quando cuido
G diz:
quando faço carinho
G diz:
quando eu me dou por completo
G diz:
quando faço tudo pela outra pessoa
G diz:
e vc é essa pessoa pra mim
G diz:
vc é pessoa para quem eu quero dar todo meu amor, meu conhecimento, minha vida
G diz:
toma
G diz:
eu te dou tudo
G diz:
fecha os olhinhos
nataly diz:
ah, vc acha que é fácil né. vc acha que é só me dar colinho que meus problemas estão resolvidos. to cansada de achar que eu to no luxo
G diz:
tocando sua testa de leve, tirando suas tensões
G diz:
então começa a fuder os outros
G diz:
a JOGAR
G diz:
pelo menos jogar
G diz:
JOGUE
G diz:
mas jogue pro bem
G diz:
foda pro bem
G diz:
entra no jogo da vida
a força vem do colo, me desculpe. mas vc precisa se recompor, vc precisa de carinho e compreensão
:de alguem pra te apoiar
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Tags: anaïs nin, diálogo, fagulha, paixão, personagem, re-encarnação da anaïs nin, vazio, vida
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