Ela me deu a frase acima e eu terminei.
Não como pêra, demais por demais me deito cedo, e perante a fadiga essa fome me intriga. Porque os traços do seu corpo são de pêra, e te mastigo lentamente suavizando o movimento. A fome pelos quadris, contrasta a minha sede pelo seu suco, embaixo da casca de cera, brilhante e deslizante em meus dedos. Não tenho medo. Por demais me deitei cedo, pra te colher antes da fome.
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Você gosta de oprimir, de deitar os outros sob o seu solo acolchoado e fazê-los sucumbir ao seu amor sufocante. Quer obrigar a dormir e acordar religiosamente de mãos dadas, na oração na união eterna. Quer andar no mesmo compasso do passo, quer tocar nas partes restritas do corpo, suando, em movimentos nervosos e rápidos com medo do pecado…quer possuir todas as células desse ser. Quer comê-la com os olhos, derretê-la, reduzi-la. Não sei o que você quer, mas é como matá-la. É quase a morte, mas você não pega na faca e não atira. Você dispara! Dispara sua alma contra a minha e estupra, dilacera e mantém escrava.
Mas desse esquema, nem eu sabia. Quando percebi já estava até usada e paga, devolvida a vida pelas mãos de Deus, que é hoje, meu eterno analista.
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Adormecida, foi tecida pelo véu dos sonhos. E nesses sonhos vai além da camada de nuvens de algodão com sangue e mercúrio que deixou cair no chão. Você está correndo novamente com sua bicicleta Ceci cor de rosa que nada combina com seu jeito durona, mas que combina com o seu jeito chorona. E quando cai, a bicicleta se parece com você e seu cabelos loiros nos ombros. Esse é o único pretexto que você tem para pedir um pouco de amor. Pelo cheiro do sangue, bem que parece ser ketchup. Mas não ousei lamber e fazer você corar, fazer você tremer e deixar seu coração esfriar. Sim, sim. Eu vou te dar carinho. Pode ficar.
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Sempre passo pelos córregos, desviando das poças imundas para alcançar o céu e o sonho. A vida é mais ou menos isso. Eu vivo sem passado e meu futuro é embaçado, na chuva dentro do carro do lado de alguém que não conheço, mas que eu posso prever até mesmo seus movimentos físicos. Por favor, por favor…fique em silêncio; essa é a única verdade.
Se houver a sinergia, vamos pisar suavemente na poça imunda até nossos sapatos transbordarem e nem vamos perceber o pé gelar. É como por o pé no céu e entrar na nuvem do sonho. Mas por favor, cale a boca. Mas como fazer-te calar se não te deixar viver para saber que a vida se reconstitui em células invisíveis do nosso sentir sem ver ou ouvir.
Dormindo eu sei como se vive, foi quando descobrir que morrer é preciso pra saber amar.
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“Estar apaixonada por você era horrivelmente perfeito. Um pesadelo maquiado; eu sabia que não era um sonho maquiado, um sonho a ser revelado. Mas queria ter certeza. Porque viver e seguir o fluxo é fato. Mas ir contra a correnteza da incerteza era a única coisa que eu conseguia desejar. Mas eu estava ali…” Exitem certas idéias que você cita sem querer, com os pensamentos em alguém ou em algo, e de forma ímpeta um outro que lê usa as mesmas com os pensamentos em quem escreveu. Você não acha?
Eu só acho uma coisa: você tem uma franqueza e coragem admirável. Que gosta, ama sem pudor. Se eu tiver que apontar alguma coisa maravilhosa em você é isso. E é raro; poucos são assim. Eu já levei muitos ‘tombos’ emocionais. Vários. Eu não sei ser como você mais. Teria que aprender. Primeiro, teria que aprender a não ter medo, depois teria que aprender a me jogar. ‘Sempre tive esse meio metro de vida em larga escala de existência’, sabe? E a fragilidade existe e persiste bem mais depois de ter enfrentado vários demônios. Fica a casca rústica. Eu e meu country, eu e meu jazz, meus livros de cabeceira e um imaginário de mulheres fantásticas do cinema. Um pouco fria, dolorosa e retirante como a Greta Garbo e um pouco louca e má como Joan Crawford, mas, sobretudo, boa e iluminada e bem longe Hollywood como Liv Ullmann. Acabou a menina cheia de dedos, das festas, do hype imbecil. Tudo virou contemplação e uma espécie de rotina; e eu meu barquinho no meio do mar no aparente nada que reflete tudo em mim; inclusive você. Que ama, ama..que quer amar e ser amada.
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Estava dirigindo o seu carro conversível em avenidas largas. Dirigia do lado direito, e o teu corpo estava do outro lado me fitanto, sempre olhando pra frente. Nunca pra trás. Eu só podia enxergar a frente através do grande vão do volante gigante. Sempre tive esse meio metro de vida em larga escala de existência. Era um carro movido à energia solar ou qualquer coisa do tipo, tinha alguns botões laterais. Realmente estava desesperada por velocidade e você me dizia ‘calma’, eles não vão nos pegar. Sua risada era um misto de calma com um quê diabólico. Você sempre faz isso para me manter excitada, para me prender a você. Prender, não me prendia. É que tudo com você cheira o fim. E como o fim é ansioso, e como o fim é desejado para novos começos, eu ficava ali, vivendo, vivendo e comendo minhas horas com você. Enquanto eu dirigia loucamente pelas largas avenidas afim de cair na rodovia expressa, aquele sol claro e transparente deixava a minha alma sem culpa, sem medo. A única coisa que estive avaliando o tempo era o meu próprio caráter, a minha moral. Tentava ignorar minhas próprias cobranças, mas não adiantava. Tentava recorrer à filosofia, ao niilismo desgraçado. Mas eu sei que isso também não é a verdade, a minha verdade. A verdade estava fora daquelas páginas e à frente das placas e kilômetros que me conduziam a mim mesma, ao meu tombo. A minha salvação era certamente a minha ruína. Estar apaixonada por você era horrivelmente perfeito. Um pesadelo maquiado; eu sabia que não era um sonho maquiado, um sonho a ser revelado. Mas queria ter certeza. Porque viver e seguir o fluxo é fato. Mas ir contra a correnteza da incerteza era a única coisa que eu conseguia desejar. Mas eu estava ali, dirigindo um carro possivelmente roubado. Com muitas histórias contadas de trás para frente na bagagem fantasma. Mesmo assim, você sempre me conduz pela porta da frente.
Esse foi meu sonho, e acabou sem fim. Com a luz nos olhos.
Há mil verdades. E eu não sou nenhuma delas, à espera de uma ÚNICA. Eu sou a espera mesmo não esperando pelo fio condutor. Eu também sou o fio. Eu sou você, o carro, a estrada e o sol claro. Não há eu. O eu é o resto. O ‘resto’ é o que sou.
Ouvindo: Melody Gardot, Cat Power e afins.
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preciso muito postar uma música
We always have a choice
Or at least I think we do
We can always use our voice
I thought this to be true
We can live in fear
Extend our selves to love
We can fall below
Or lift our selves above
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it’s not always that clear
I always try so hard
To share my self around
But now I’m closing up again
Drilling through the ground
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it’s not always that clear
I’d love to give my self away
But I find it hard to trust
I’ve got no map to find my way
Amongst these clouds of dust
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
Love can stop your fear
Fear can stop you loving
But it’s not always that clear
morcheeba
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Me livra de ter que inventar e recriar as minhas histórias, de contextualizar meus desejos. É horrível ter que se explicar a que veio: simplesmente estou aqui. Olha meu corpo, minhas vestes – o que tudo isso diz? Olha meus olhos, fundos. Veja a expressão da agonia, do sono morto a pauladas e a pupilas. Vê se mente que me entende, daí a gente senta, toma café até dar taquicardia. Assim, meu coração pula forte dentro do peito pra lembrar que ainda estou viva. Viva de você e dos anseios de entrelinhas.
I would never find myself feeling bored
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É que, nós dois éramos tantas vísceras juntas que demos nó. O que era vermelhinho ficou pretinho e começou a feder.
Você foi pra uma vala e eu pra outra. Tentamos adormecer. Mas não há tumba que agüente tantas inquietações. É que lemos muitos livros e lemos até o livro que éramos. Nos lemos. Quando tudo ficou claro demais subitamente a chama se apagou, e sem chama, morremos.
Mas deus é pai e concedeu-nos a vida física. Nos transformamos em zumbi, mortos-vivos. Sem casa, sem referência. Andamos por aí com medo de nos esbarrar por jurar que causamos desgraça um ao outro. É. Muitos anos depois, sem o estigma do passado nos cruzamos..(…)
Medíocres nos tornamos hoje quando antes éramos semi-deuses? A frustração estará estampada em seu rosto? Tenho medo disso. Temo não ter feito descoberta melhor senão ser o que hoje sou:
Não há o que ser senão ser poeta. Escrever. Se for pra dizer, eu não virei nada. Viver já basta e viver é demais. Ao menos as contas estão pagas.
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Como você chega rasgada depois de alguns fios de álcool e vento gelado. Como se à noite não bastasse, como você não se divertisse. Embaixo do abajur branco para que eu a veja, você tenta me entreter como se eu quisesse entretenimento. Você quer platéia, eu quero dormir.
Tão tola tão bela. Uma poetisa sem a escrita. Meu sono quer velar sua aura acesa.
Embora abalada de sono, fico a espreita em saber se vai se irritar ou frustrar com a minha rejeita. E a minha oração da noite é a satisfação, é vê-la cair em compreensão da própria tolice em tentar. Mesmo insatisfeita com suas andanças com poucas respostas, percebeu no quente do quarto que tudo o que precisava estava ali. Amei-a nesse momento, como a mãe que ama a criança.
Sei que amanha pode vir a pensar: ‘pra que vivo então, se tudo o que eu preciso está aqui?’. É, eu também penso nisso. E soa contraditório. Já descartei o suicídio e sei que você nem vai pensar nisso.
Estou sempre querendo além do que preciso. E o que preciso é de um pouco de paciência, um punhado de arroz, milho e leite morno. Às vezes, um pouco de mimo. Às vezes sou plebéia, às vezes sou rainha. Sou o que a alma pede, mas só tenho o que posso ter. Na maioria das vezes não tenho muita coisa, nem mesmo a sua presença e seus egocentrismos na madrugada.
Mas não vou deixar que você fale o que quiser para que volte amanha sabendo que terá olhos e ouvidos.
Você vai, mas eu fico porque já sei que não há promessas outside.
Não vou deixar de permitir que minha criança se aventure e até mesmo morra. Não vou deixar de permitir que ela plante a solidão em seu próprio coração. É preciso que ela morra.
É preciso que ela vá pra voltar, e não que ela fique para um dia se deixar: ao relento. Protejo-te em silêncio mesmo que custe a minha solidão.
Nossos corpos estão presentes essa noite, mas a presença está morta. Dentro do mesmo quarto há mil lugares transitáveis e outros de difícil acesso. Mil universos num só lugar.
Seu rosto está desfigurado e a cama está vazia. Um aperto no peito e um adeus sem jeito com uma esperança que soa triste. Que vá sem deixar migalhas! Não, não vou blasfemar.
Vou compreender que cada macaco deve ficar em seu próprio galho e que só um galho grande e forte serve pra dois. E nesta cama só cabe um.
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